PS quer saber o que é que o Governo está a fazer para evitar fim do terceiro turno da fábrica de Mangualde

O PS mostrou-se hoje "surpreendido" e "preocupado" com a decisão da PSA - Peugeot Citroen de Mangualde de acabar com o terceiro turno de produção, afirmando não acreditar que o Governo desconhecesse a situação.

"Foi uma notícia que nos apanhou de surpresa", afirmou aos jornalistas o deputado socialista e antigo presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP), Basílio Horta, no Parlamento, num comentário à decisão da PSA de Mangualde de acabar, a partir de abril, com o terceiro turno de produção, não renovando os contratos aos 350 trabalhadores que o integram.

O deputado lamentou que a decisão da empresa tenha como consequência o desemprego de 350 trabalhadores "numa zona carenciada" e disse que gostaria de saber o que o Governo vai fazer em relação a esta situação.

"O diretor-geral português é uma pessoa muito empenhada em trazer para Portugal novos modelos e, portanto, alguma coisa deve ter acontecido ou deixou de acontecer para que se desse este triste desfecho", afirmou Basílio Horta.

"Não acredito que o Governo não tenha tido conhecimento antecipado que isto ia acontecer. Se soube, ainda é mais grave", acrescentou.

O deputado socialista salientou que o terceiro turno implicou uma expansão da fábrica e recordou que, quando a "PSA esteve para sair de Portugal", foi a Paris para falar com o presidente da Peugeot.

"Estamos tristes e preocupados com esta decisão", reforçou, apontando como prioridade "reter o investimento estrangeiro" em Portugal.

O diretor financeiro da PSA - Peugeot Citroen de Mangualde, Elísio Oliveira, disse hoje à Lusa que, a partir de 02 de abril, "a empresa retoma a produção em dois turnos", acabando com a equipa da noite, que tinha entrado em novembro de 2010.

"Anunciámo-la por um período transitório de seis meses para fazer face às encomendas que, naquele contexto de mercado, nos eram favoráveis", explicou o responsável.

Elísio Oliveira disse ainda que, "face à quebra das economias, nomeadamente europeias, quer no final de 2011, quer às perspetivas de crescimento quase nulo em toda a Europa", o Centro de Produção de Mangualde tem de "rever os programas de produção" e fazer novo ajustamento.

A previsão global da produção para este ano deverá situar-se entre os 40 e os 45 mil veículos. A empresa ficará com cerca de 900 trabalhadores.

Fonte: Sic Notícias

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