Acordo(?) Ortográfico

Acordo(?) Ortográfico
Assinado em 16 de Dezembro de 1990 pela Academia das Ciências de Lisboa, pela Academia Brasileira de Letras e pelas Delegações de Angola, Moçambique, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau, este Tratado Internacional tem como meta regular a ortografia de todos os países de língua oficial portuguesa, uniformizando-a. Em vigor em Portugal desde 13 de Maio de 2009, este Acordo tem um período de transição de seis anos.
Este acordo não implica qualquer alteração na fonética das palavras mas apenas na forma como são escritas. Para mim implica mais do que isso…se palavras como “adoção”, “perentório”, “exceção” e “ação” continuarão a ser ditas como sempre o foram, vê-las escritas no papel causará em mim a sensação de estar perante erro tamanho…! A memória visual que temos das palavras estará sempre presente.
Diz-se por aí que os antecedentes deste acordo remontam ao início do século XX, com a implantação da República em Portugal. Com o objectivo de simplificar a escrita e combater o analfabetismo, elaborou-se uma reforma ortográfica em Portugal que alterou por completo a grafia da língua portuguesa, ficando o Brasil com a ortografia antiga e por cá com a reformada.
Sucede que, desde então, várias foram as tentativas de uniformizar a grafia, de unir o idioma português para o levar além-fronteiras, que culminou nesta solução (?) de compromisso que unifica a grafia respeitando as diferenças fonéticas…
No entanto, muitos são os que se manifestam contra este acordo. Eu própria não aceito os casos de dupla grafia, a eliminação das consoantes mudas (“Egipto” passa a “Egito” e “nocturno” transforma-se em “noturno”), as novas regras de hifenização e as de acentuação. Os opositores a este acordo até lançaram uma petição que se encontra disponível na internet…
No campo do Direito, mais do que uma mudança na forma de escrever, o Acordo Ortográfico vem exigir uma mudança de mentalidade dado ser uma área conservadora e tradicionalista, onde se vislumbram peças processuais que, na maior parte das vezes, são autênticas obras de arte… Alterar a grafia de uma palavra “é cortar-lhe a ligação com o seu antepassado em latim”…
O acordo encontra-se, actualmente, em período de transição e não será de aplicação obrigatória no final do mesmo. Em jeito de brincadeira, não comete um ilícito quem escrever, após 13 de Maio de 2015, de acordo com as regras da grafia anteriores ao acordo.
Não sou a favor e continuarei a escrever como me ensinaram…mas como estamos num país democrático (também me ensinaram) respeito diferentes opiniões.
A quem interessar, o texto do Acordo, integrando os seus anexos I e II, pode ser consultado em http://www.priberam.pt/docs/AcOrtog90.pdf e o Vocabulário Ortográfico do Português está disponível em http://www.portaldalinguaportuguesa.org/index.php?action=main
Ah! Já me esquecia: o presente artigo não é escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1990… por via das dúvidas...
Ana Ribeiro Lopes
(Advogada Estagiária)


