Mangualde, 12 anos de urbanismo habitacional medíocre

Escrito por Lúcio Balula.

Recordo bem a forma intensa e ansiosa como se olhava o urbanismo à apenas alguns anos atrás. O mesmo era sinónimo de desenvolvimento e prosperidade. Muitos olhavam-no como um bom foco de investimento pela sua célere valorização, já outros, simplesmente por enchiam o olho por ver a cidade crescer para fora dos seus limites, ansiando a transformação do velho e pequeno burgo em algo que se assemelhasse a uma cidade pujante, capaz de servir de ensinamento a muitas outras.

É notório que da construção desenfreada, vantagens advieram, mas prejuízos também.

As vantagens são iminentes, empregos e habitações, mas as “tolices” ainda mais! Não houve na autarquia uma capacidade facultar a urbanização de forma ponderada, e satisfazer as necessidades de habitação através de apartamentos e habitação social. O exagero urbanístico, sobretudo no campo das moradias foi de tal dimensão, que hoje, todas as moradias rondam uma desvalorização que oscila entre os 20 e os 30%. É certo que se questionarão da veracidade das minhas palavras, mas a resposta é simples. Há em Mangualde um excesso de oferta, existindo ainda uma forte probabilidade de diminuição da procura proveniente da escassez de emprego e não existe por isso potencialidade de atracção populacional, com a agravante da crise económica e financeira mundial, onde se acrescem ainda as dificuldades até de acesso ao crédito. Também as actuais políticas de planeamento familiar, cujo sentido é o da redução do número de filhos por casal representa uma condicionante, uma vez que hoje em dia a realidade educativa que os filhos acarretam são bem mais longas e muito mais onerosas que no passado.

Para concluir, ninguém ganhou e muitos perderam, lamento que muitas pessoas tenham investido o que tinham e muitas vezes o que não tinham numa habitação que consideravam ter um valor muito semelhante ou maior ao dispendido pelo imóvel.

Com os melhores cumprimentos,

Lúcio Balula

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