Auto – Hipo

Escrito por Lúcio Balula.

Hilariante seria o adjectivo por muitos entoado se isto ocorresse nos dias de hoje. Foi um conterrâneo o criador desta ideia inovadora para a época. Auto-hipo foi a terminologia dada à criação. Esta invenção foi apresentada em Lisboa nos anos 40, no decorrer da 2ª Grande Guerra, em plena crise económica nacional, que levou o Estado Salazarista a proibir a utilização de gasolina nos veículos particulares. A original solução Mangualdense não vingou, em vez disso, foi preconizada a utilização do gasogénio, ao que parece bastante incómodo, que se caracteriza por ser um aparelho que transforma, por combustão incompleta, carvão ou madeira em gás capaz de mover veículos.

A década de 40 foi, se não a mais miserável, com certeza uma das mais parcas de que à registo, as constantes trocas comerciais com a Alemanha levaram a que as nações pertencentes aos Aliados, no contexto da 2ª Guerra Mundial, procedessem a uma redução das suas exportações para Portugal. Foi uma época em que a mortalidade infantil e a fome aumentaram exponencialmente, muito por força de pressão inflacionista causada pela falta de bens de consumo. Houve produtos cuja inflação ascendeu a mais de 100%, e na generalidade quase todos os produtos sofreram uma inflação que oscilou entre os 20 e os 30%.

Ao contrário dos dias de hoje, as condicionantes da altura devem-se sobretudo à posição Salazarista perante a guerra em curso, e aos que afirmam que a presente situação se deve a falta de sentido de governação, apenas me resta afirmar que a variação do preço dos combustíveis apenas se deve à especulação bolsista, e que uma redução do ISP afectaria seriamente o já limitado Orçamento de Estado. Esta opção obrigaria a uma redução da despesa em serviços que os próprios portugueses consideram fundamentais, como a saúde ou a educação, e neste âmbito todos compreendemos que menos receitas simbolizam em geral piores serviços.

Os melhores cumprimentos aos leitores

Lúcio Balula

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