Pensar a Feira Santos
Sendo eu portador de uma Licenciatura É do conhecimento dos Mangualdenses, que um dos mais emblemáticos acontecimentos locais, a Feira dos Santos, se encontra
É notório, que muitos dos produtos disponíveis na presente Feira dos Santos, pouco ou nada interessam a muitos dos mangualdenses e visitantes, pois como é sabido, há muito que este tipo de comércio se deixou invadir pelo mundo ilegal da contrafacção, com agravante de a maior parte dos produtos não portadores das anteriormente referidas ilegalidades, serem produtos de ténue qualidade. No que toca aos serviços na feira prestados, nomeadamente as “barraquinhas de comes e bebes”, estes muito deixam a desejar, quer em termos de higiene, quer termos de comodidade. Relativamente à higiene, a opinião dos mangualdenses e visitantes é quase unânime, são necessárias casas de banho em quantidade e qualidade, com várias limpezas diárias, e são também necessárias medidas de prevenção no âmbito gastronómico, pois só assim poderemos preservar aquele que é um dos atractivos da feira, ou seja, a febra ou fêvera para alguns. Este é um campo onde é fundamental apostar; se no passado as exigências ao nível da saúde alimentar eram reduzidas, hoje as expectativas quanto à mesma são muitas e, não tenho dúvidas de que as últimas não se coadunam com a confecção de alimentos em locais repletos de pó. Neste contexto, sugiro até a celebração de um protocolo entre a autarquia e a restauração local, no sentido de integrar a restauração local na gastronomia por excelência da Feira dos Santos.
Uma das áreas onde denoto uma acção francamente lamentável, é na acção lúdico-pedagógica infantil, muito mais poderia ser feito para divertir as crianças e, consequentemente, libertar os pais para passear. Noutros eventos semelhantes a nível nacional existem parques lúdicos para crianças, onde existem pedagogos e não pedagogos com actividades mera diversão (camas elásticas, insufláveis, jogos tradicionais, etc.) e de educação não formal, (eco-arte, campanhas de segurança infantis, jogos de mímica, etc).
Como já foi referido por muitos, também eu defendo o retorno da feira para o interior da cidade, não apenas por questões de beleza estética, mas também pela vivacidade da própria cidade. Sei de antemão que opiniões divergentes surgirão e pelas mais diversas razões. Uns começarão por dizer que os feirantes destroem a pavimentação dos locais onde comercializam, já outros, simplesmente porque habitam no local ou perto dele dirão que os constrangimentos causados não justificam a mudança. Mas a estes só me resta proferir que a tradição não pode cessar, pois todos sabemos o quão forte é a mesma neste concelho e o quanto simboliza ela no coração dos mangualdenses. Nesse sentido, a feira deve apenas ser deslocalizada para ruas de pavimentação sem alcatrão, já que nestas o restauro é mais barato e fácil, podendo até ser feito por funcionários autárquicos, não representando por isso quaisquer custos adicionais para o erário público. Ainda assim, no intuito de minimizar os habituais danos na via, proponho a aquisição de um toldo comum de grandes dimensões a dispor na localização encontrada. Este último aspecto traria mais uniformidade e beleza à feira e consequentemente menos problemas em termos de preservação da via. Considero que estas opções poderão ser uma mais-valia na necessária modernização do evento. Já no que respeita aos que habitam na hipotética zona de feira, limito-me a apelar ao espírito de sacrifício, que apenas se prolongará por 2 dias no ano. Será isto pedir muito?! Habitei-me durante seis anos
Uma das maiores lacunas que encontro em quase todas as feiras de cariz anual, é a não existência de um método de contagem de visitantes. Para muitos isto pode parecer absurdo, mas para mim esta é uma das mais importantes componentes, pois só assim poderemos saber qual a verdadeira oscilação do número de visitantes de ano para ano, o que nos ajudará a encontrar formas de dinamizar a própria feira. Esta contagem há muito deveria existir e mais vale tarde do que nunca, mas quanto mais tarde ela aparecer, muito mais custos implicará.
Devem também existir estudos de carácter sociológico estatístico relativamente aos visitantes da feira, pois, é a meu ver importante conhecer quais os escalões etários e classes sociais que mais frequentam esta carismática efeméride local, assim como a sua localidade de origem. Estes dados seriam o maior trunfo que a autarquia local poderia ter em mãos, já que permitiriam adequar a Feira dos Santos ao perfil dos seus visitantes, assim como, implementar estratégias para a cativação de novos públicos, sejam elas ao nível de espectáculos (porque não uma tarde de fados, ranchos?!) ou a outros níveis.
Aqui ficam algumas ideias, provenientes de uma das áreas da Animação Sociocultural, ou seja, a gestão e organização de eventos, a antropologia ou a sociologia que poderão ser uma grande ajuda na preservação e dinamização da Feira dos Santos.
Com os melhores cumprimentos
Lúcio Balula


