Haja bom senso, por favor!
Muito se tem abordado a abertura do novo centro comercial “Modelo” Foram criados 142 postos de trabalho e fazem uma festa. Estamos todos de parabéns. Afinal, isto até nem está assim tão mau como dizem os mauzinhos ligados ao PS. Afinal cria-se emprego em Mangualde, afinal há uma política de empregabilidade invejável, de uma forma a deixar qualquer Câmara boquiaberta e extremamente interessada em saber, no final de contas, como se cria emprego no interior do país.
Falta, no entanto, explicar que muitos desses postos de trabalho são precários, preenchendo em muitos casos, apenas quatro horas de trabalho diário. Não nos podemos esquecer, que este mesmo “Modelo” pode muito bem vir a por em causa postos de trabalho em outros centros comerciais já existentes na cidade. Falou-se, e penso que terá mesmo existido um plano para aumentar a superfície de um supermercado ligado à Jerónimo Martins na cidade, o que, com a aparição do Modelo, ficou sem efeito.
Outro facto, que me deixou bastante perplexo, foram os comentários elaborados pelo nosso presidente da Câmara, quando refere num jornal quinzenal cá do concelho, que um dos objectivos da abertura deste novo centro comercial é “contribuir para estancar a ‘hemorragia’ de consumidores mangualdenses, que diariamente se deslocam a Viseu, a estabelecimentos congéneres”.
Esta frase, só por si, poderia, eventualmente, ser aplaudida. Um presidente da Câmara que se preocupa com os Mangualdenses, é sempre bom. No entanto, esta ideia tem muito que se lhe diga. Ora vejamos.
Todos nós nos lembramos das placas que foram colocadas, em 2007, um pouco por toda a cidade a indicar a existência de uma grande superfície, fora de Mangualde, ou seja num apelo directo ao consumo fora do Concelho. Então? Em que é que ficamos? Luta-se pela ‘hemorragia’ de consumidores mangualdenses, que diariamente se deslocam a Viseu ou esforça-se para que todos os Mangualdenses se desloquem para fora de Mangualde? Haja coerência e bom senso.
Cumprimentos
Rui Conceição


