Governo presta auxílio à PSA Mangualde
Nos últimos tempos, o tema dominante da actualidade tem sido a crise financeira do sector bancário, com particular destaque para as influências negativas que o mesmo poderá gerar nas restantes áreas de actividade económica. Ora, isso é exactamente o que ocorre no sector automóvel, sendo prova disso, a recente diminuição do volume de negócios do sector, não estando a PSA Mangualde imune a todos esses factores.É notória e compreensível, a preocupação que todos os Mangualdenses demonstram quando o maior empregador do concelho, ou seja a PSA, já que este manifesta dificuldades no escoamento do produto, e uma vez que este é o nevrálgico motor de grande parte da actividade económica concelhia, tendo mesmo fortes reflexos a nível distrital, importa conferir ao problema a sua real dimensão.
Como muitos sabem, é público que a partir do dia 9 de Fevereiro a PSA Mangualde vai passar a laborar apenas a dois turnos, mas no meu entender isso não é ainda razão para alarme, porque o Governo decidiu apoiar um sector que emprega 50 mil pessoas e representa 15% das exportações nacionais com 900milhões de euros através de quatro eixos:
“- O primeiro visa “apoiar”a competitividade e o emprego no sector, através da implementação do Programa Qualificação – Emprego para O Sector Automóvel que vai possibilitar que 10mil dos seus trabalhadores recebam formação profissional utilizando uma verba que ascende aos 70Milhões de euros.”
Este ponto implica que, todos os trabalhadores envolvidos neste programa de formação tenham emprego garantido até 2010, sendo da responsabilidade do Estado o pagamento de 80% do salário de cada trabalhador. O número de vagas para formação é equivalente ao número de possíveis despedimentos anunciados pelo conjunto do sector automóvel.
“- O segundo é constituído por um conjunto de Instrumentos Financeiros para a Apoiar as Empresas, Incluindo linhas de crédito, seguro de crédito à exportação, fundos para promover uma reestruturação empresarial mais rápida no sector, através de fusões e aquisições e uma linha de crédito de 200milhões de euros para as Empresas Exportadoras.” Este eixo procura assegurar o acesso à liquidez para a gestão de tesouraria, que tão importante é para a gestão corrente empresarial.
“- O terceiro eixo são fundos do Quadro de referência Estratégico Nacional (QREN), destinados a que as empresas invistam mais em tecnologia e se modernizem, representando um acelerar dos pagamentos de incentivo relativos a projectos aprovados no âmbito do QREN.” Este contexto funciona em sintonia com o novo programa de formação para o sector, que juntos, trarão maior competitividade ao país no âmbito da produção automóvel quando retornar a estabilidade ao sector.
“- O quarto destina-se a promover a procura de automóveis novos, à semelhança do que estão a fazer outros países europeus”, ou seja, existirão novos incentivos para a compra de automóveis novos para além dos que já existem, sendo alvo de maior benefício os automóveis mais amigos do ambiente. Esta é uma boa notícia para todos os portugueses, já que a média de idade dos automóveis dos portugueses é de 8,4 anos.
É louvável o esforço do governo na manutenção da indústria automóvel, assim como dos empregos que a mesma gera, sendo prova disso são os 900 milhões de euros disponibilizados para o sector. Estranho é que da parte do poder local em Mangualde não tenha existido qualquer tomada de posição numa situação tão delicada com a actual.
Com os melhores cumprimentos
Lúcio Balula


