2009, o ano

Escrito por Rui Conceição.

2009. 2008 já lá vai e esperamos todos que este ano seja melhor que o anterior. No entanto, como tudo na vida, nem tudo é um mar de rosas. Na expectativa está um ano muito complicado, uma crise que será nada fácil de ultrapassar, pois será uma crise como há muito não temos visto. Esta ideia é valida não apenas no nosso concelho, mas em todo o país e igualmente em todo o mundo. No entanto, temos de ter o pensamento positivo.

Este ano será de uma importância crucial, nomeadamente porque iremos ter três eleições (para o Parlamento Europeu, eleições legislativas e autárquicas). Nota-se indubitavelmente que a forma e conteúdo do que será decidido, estará portanto, nas suas mãos, a não ser que não queira ir votar ou não esteja recenseado. Em ambos os casos, permita-lhe que lhe diga, que deverá alterar esse ponto. Mesmo que esteja desapontado com a política, de uma coisa lhe garanto: muitas das decisões tomadas a nível local, regional e nacional são tomadas por políticos. Parece uma verdade de La Palisse, mas muitas vezes esquecemo-nos do óbvio. Por isso, vote. Por isso, recenseia-se. Não perde rigorosamente nada, muito pelo contrário, e tem muito que ganhar. Por muito que se critique a democracia, ainda não encontrei em todos os outros sistemas políticos outro com mais vantagens.

Este ano, muito está previsto, e será um ano em cheio.

Iremos ter eleições autárquicas e a consequente eleição para as Juntas de Freguesia. É ponto assente que num futuro próximo ou a médio prazo iremos conhecer os candidatos às mesmas e nesse tempo poderemos criar a nossa opinião sobre quem nos irá parecer ser o melhor para as (nossas) freguesias.

Relacionado com este ponto está obviamente a Câmara de Mangualde. Não nos esqueçamos que na consequência dos resultados das últimas eleições, os Mangualdenses votaram nos presentes para dirigir os destinos da autarquia. De facto, e bem vistas as coisas, de presentes já não têm muito, pois passados pouco mais de três anos, qual é o ponto de situação? António Silva foi afastado da forma que todos nós conhecemos, Agnelo Figueiredo demitiu-se. De quatro, metade já não se encontra ou não faz parte da autarquia nos mesmos moldes. Lindo, não é? Responsabilidade é o mínimo dos mínimos que se pode exigir a um executivo camarário. No que diz respeito à Câmara Municipal, o que sempre me preocupou em relação à mesma, são grande parte das decisões que tomam; ou não fazem sentido nenhum (nomeadamente Museu do Porco, apesar de ainda ter a esperança que isso nunca se torne numa realidade, para o nosso bem) ou porque são demasiado descontextualizados e irreais (as 97 obras incluídas na proposta da Parceria Público-Privada pelo executivo PSD da Câmara em Outubro 2007, como se Mangualde fosse Nova Iorque, é um exemplo elucidativo, entre muitos, disso mesmo). Espero, apesar de não acreditar muito, que o executivo camarário não se esqueça da enorme dívida que já existe na CMM (sensivelmente 18 milhões de Euros!) e que começa a fazer obras a todo o custo, a abrir a brecha, fechando os olhos à dívida, numa filosofia de “vale tudo”. Mangualde com uma dívida (ainda) maior por causa de obras que não são prioritárias e pertinentes, não obrigado. Aliás, os Mangualdenses já não vão em cantigas. Os Mangualdenses irão fazer o balanço da obra (não) realizada ao longo dos últimos anos. O tempo em que o “tapar os buracos” e “arranjar umas estradas” era suficiente para provar que estavam á altura de ser edil da Câmara, já não faz parte dos nossos tempos. Hoje em dia, exige-se muito mais, sobretudo a nível social. A PSA Mangualde está com problemas preocupantes e a CMM nunca esteve à altura para criar condições a uma empresa que é, indiscutivelmente, de uma importância extrema para Mangualde e a região, não se cria condições para que haja mais emprego em Mangualde (especialmente com impostos locais elevadíssimas, não se consegue, como é óbvio), as decisões não são as mais correctas (apoiar exageradamente a Sonae, em detrimento de outras empresas locais; que mais-valia trouxe o “Modelo” para Mangualde?), porquê a questão do Museu do Porco quando devíamos ter um Museu que realmente espelhasse a nossa identidade, para quando finalmente os novos Pólos Escolares em Mangualde, para quando finalmente uma zona industrial digna de uma cidade, para quando finalmente melhores condições para os professores das Actividades de Enriquecimento Curricular, para quando a revisão do PDM, para quando uma política de rigor e organização, para quando uma política de ajuda às associações e identidades mais relevantes do concelho (nomeadamente a Sociedade Filarmónica Lobelhense deveria ter mais atenção e apoio por parte da CMM, sou de Lobelhe do Mato e consequentemente tenho uma especial atenção com tudo o que diz respeito à minha freguesia), etc, etc…

Muito tem de mudar em Mangualde. Já se perdeu muito tempo, mas acredito que ainda vamos a tempo. Vai-se sempre a tempo quando há organização, rigor, planeamento, ideias realistas e objectivas, projectos inovadores e cruciais; tudo o que tem faltado a este executivo camarário. Quem parar por uns momentos e reflectir nestes pontos, poderá indubitavelmente chegar às conclusões que cheguei há muito tempo, algumas das quais, expressas neste artigo. Os Mangualdenses merecem, Mangualde merece mais apoio e atenção por parte do executivo camarário.  

Finalmente, permitem-me que vos transmita os mais sinceros votos de um ano 2009 cheio de saúde, sucessos pessoais e profissionais.

Com os melhores cumprimentos,

Rui Conceição

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